Panorama da distribuição

Por Marcelo Ikeda*

Após o fim da política estatal de apoio ao cinema nacional com as medidas do governo Collor, liquidando diversos órgãos setoriais, a reconstrução dos mecanismos de apoio do Estado à atividade cinematográfica passou a ocorrer numa nova base, com a criação dos mecanismos de incentivo baseados em renúncia fiscal, em que as empresas privadas realizam o aporte de capital num determinado projeto, sendo que o valor é abatido – parcial ou integralmente – no imposto devido pelas empresas.

Em 1995 começaram a estrear os primeiros filmes produzidos a partir do novo modelo de incentivo. Entre 1995 e 2007 foram lançados 453 longas-metragens nacionais. No entanto, a participação da produção nacional ficou em números aquém do esperado por essa política, de cunho industrialista, cujo objetivo era a auto-sustentabilidade da indústria cinematográfica nacional. O market share da produção nacional, com a única exceção de 2003 (21,4%), esteve em níveis não superiores a 15%.

Analisaremos a performance dos longas-metragens nacionais lançados no período de 1995 a 2007 sob a ótica do perfil da distribuidora envolvida. Será apresentado um trabalho inédito de compilação da base de longas nacionais lançados no período mediante diversos tipos de cruzamento (número de espectadores, renda, cópias ou salas, e valores autorizados e captados por mecanismo de incentivo). Para isso, as distribuidoras de longas nacionais serão divididas em quatro categorias:

1 – “majors” (grandes conglomerados de distribuição de origem estrangeira, associados aos estúdios norte-americanos);

2 – “independentes” (distribuidoras de capital nacional);

3 – “distribuição própria” (empresas cuja atividade principal é a produção mas que ingressaram na distribuição exclusivamente com os seus próprios filmes);

4 – “distribuidora estatal” (RioFilme). Procuraremos mostrar como a performance dos filmes nacionais lançados tem nítida influência do tipo de distribuição adotado.

Em seguida, os filmes serão segmentados segundo o gênero, já que a apresentação conjunta de documentários e filmes de ficção ou animações poderia distorcer os resultados. Os primeiros possuem apelo comercial nitidamente mais reduzido e certos tipos de distribuidoras têm uma carteira com maior incidência desse tipo de produto.

Procuraremos demonstrar em que medida a separação por gênero confirma ou ratifica os resultados agregados.

*Resumo da palestra no “Ciclo de Conferências: Cinema Brasileiro: Desafios Culturais e Econômicos”. Marcelo Ikeda é coordenador da Superintendência de Acompanhamento de Mercado na Agência Nacional do Cinema (ANCINE). Mestrando em Comunicação Social pela UFF. Crítico de cinema, com ênfase na internet, em sites como o CurtaoCurta, RevistaEtcetera e ViaPolítica. Mantém o blog www.cinecasulofilia.blogspot.com. Curador da Mostra do Filme Livre entre 2003 e 2007.

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